|
Inicialmente, gostaria de expressar a todos a minha honra ao encerrar o 1º Seminário de Operações de Paz Pró-Defesa, evento organizado por meio de inédita parceria entre a Marinha do Brasil, a Universidade de Brasília e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. No decorrer deste Seminário, tivemos a rara oportunidade de conjugar a pesquisa de alto nível com a prática operacional e tática das operações de paz, consolidada ao longo dos últimos cinco anos da participação brasileira na Missão no Haiti. Foram dois dias muito intensos, com importantes apresentações e acalorados debates que, seguramente, contribuirão para a consolidação das experiências já adquiridas e o conseqüente aperfeiçoamento de uma doutrina efetivamente brasileira para atuação do País nessas operações, as quais, de forma alguma, restringem-se ao Segmento das Forças Armadas.Portanto, com imensa satisfação, ressalto a importância da integração entre o meio acadêmico, aqui representado por profissionais do mais alto nível nos cenários nacional e internacional, e o meio militar. A presença de tantos participantes, de tão diversas origens, proporcionou extraordinárias condições para depurarmos o conhecimento e, assim, enriquecermos nossas Instituições com a visão de pessoas, cada vez mais, capazes de formular estratégias de sucesso nesse tipo de emprego. Por outro lado, a presença de significativo número de estudantes de nossas universidades, certamente anuncia um futuro altamente promissor, pois assegura uma integração cada vez maior e mais profícua entre todos os setores envolvidos com o assunto. O Brasil possui relevante atuação nas operações de paz. A Marinha do Brasil, especificamente, possui histórico registro de apoio à política externa brasileira, cenário que engloba tais missões, desde 1965, quando os primeiros observadores e contingente de tropa integraram nossas Forças em apoio à Organização das Nações Unidas e à Organização dos Estados Americanos, respectivamente, na fronteira Índia-Paquistão e na República Dominicana. A rica experiência acumulada desde então, ampliada pela recente e intensa participação na Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti – MINUSTAH, proporcionou melhores condições para materializar esse importante encontro entre civis e militares, dando início ao inédito projeto Pró-Defesa, cujo primeiro Seminário, tivemos o orgulho e a honra de organizar. Contudo, não poderia deixar de aproveitar esta oportunidade para ressaltar-lhes as enormes responsabilidades da Marinha, motivo de nossas maiores preocupações. Nosso País possuivasta faixa litorânea, com cerca de 8.500 km de extensão e uma rede fluvial com, aproximadamente, 40.000 km de rios navegáveis, características geográficas que, por si só, deveriam ser capazes de incutir em nosso povo uma vocação marítima. Todavia, há muito mais: no Atlântico, detemos a jurisdição sobre uma imensa área de, aproximadamente, quatro milhões e meio de quilômetros quadrados. Por ser extensa, rica e de indiscutível e cobiçado valor, convencionamos chamá-la de “Amazônia Azul“, marca já registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Por ela, circulam mais de 95% do comércio exterior. Do seu subsolo, extraímos gás e 90% do petróleo. Nela, encontramos riquezas minerais, conhecidas como “nódulos polimetálicos”, ainda não completamente identificadas. Dela, extraímos o pescado, atividade essa que, embora ainda seja praticada de forma artesanal, se for incentivada, por intermédio de programas de diversificação e modernização da frota pesqueira oceânica, poderá elevar-se, a curto prazo, até 1.450.000 toneladas/ano, assegurando maiores cotas de captura, em especial de atuns e afins. Daí, ser essencial a participação de formadores de opinião que nos ajudem na tarefa de alertar os diversos segmentos da Nação quanto à necessidade de cultuarmos e propagarmos a predestinação marítima do Brasil. Portanto, abri este parêntesis sobre a Marinha, para enfatizar que, também nesse ponto, contamos com a atuação de todas as senhoras e os senhores para levar à sociedade brasileira a mensagem da importância da "Amazônia Azul” para a prosperidade do nosso País. Cabe-me, também, cumprimentar o Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais que, por meio de sua Escola de Operações de Paz, organizou este Seminário, em parceria com a Escola de Guerra Naval, a Universidade de Brasília e a Pontifícia Universidade Católica, o qual contou com a participação das mais renomadas Instituições, Universidades, Institutos de Pesquisa do Brasil e do exterior, que contemplam elevada experiência nas operações de paz e que abrilhantaram de forma indelével este evento. A presença de delegações da ONU, OEA, Argentina, Canadá, Chile, Estados Unidos da América e Haiti conferiu-lhe um brilho todo especial, credenciando, definitivamente, a Marinha como Instituição de excelência no campo das operações de paz. Por fim, apresento especial agradecimento aos Conferencistas de Honra, Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, e Embaixador Igor Kipman, Embaixador do Brasil no Haiti, por prestigiarem a Marinha na realização de tão importante evento, demonstrando a relevância que esse tema representa, atualmente, para o Brasil. Também, agradeço, sinceramente, aos conferencistas que nos brindaram com ótimas participações nos painéis, e ao público presente, principal razão de ser de todas as nossas discussões e esforços. Espero contar com suas presenças nos diversos eventos relacionados à Defesa Nacional, a serem realizados em 2010, em parceria com a Secretaria de Assuntos Estratégicos, dando continuidade ao excelente Seminário que tenho a honra de dar por encerrado neste momento. Muito obrigado! Almirante-de-Esquadra Julio Soares de Moura Neto Comandante da Marinha

|